– E o coração? Como está?

– Esperando um amor.

– …

– Você sabe hoje em dia ninguém quer nada sério, amores líquidos, é tudo muito superficial.

– E aquela pessoa que você foi encontrar, foi ruim assim, você parecia estar com alguma empolgação.

– Ah você sabe não rolou, a conversa até que foi legal, mas não teve aquela conexão.

– Mas você acha que isso acontece no primeiro encontro? Como se fosse um portal mágico, um clique no silêncio e bum, amor.

– Ah.

– Você acha que o amor é assim?

– Mas tem que ter algo a mais, de cara, quase amor à primeira vista.

– Tem certeza?

– Tenho.

– Desculpe estar me intrometendo na sua vida, mas é que vejo você dispensando todas as pessoas que aparecem mesmo antes de ter alguma profundidade envolvida.

– …

– A maioria das pessoas está apaixonada pela espera, pela sensação de que o amor pode estar na próxima esquina e ficam sempre esperando o “alguém” que não tem nome, o risco de estar sempre nesta ciranda e não ver o tempo passar, ou pior, ver que perdeu alguém especial, alguém que sempre esteve perto e que no fundo você nunca considerou. Talvez o amor esteja mais próximo do movimento do que da espera.

 

(silêncio, as mensagens param de chegar)

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