As pessoas não irão falar sobre, não irão postar isto no instagram, nós dois sabemos disso, eu te vejo e você me vê aqui. Vemos tantas vidas perfeitas nesta tela brilhante, praias, corpos, pratos saborosos, mimos, beijos, juras de amor, likes e likes, viagens, marcas, eu te vejo e você me vê, ambos estamos sozinhos aqui, neste quarto, sala ou sentados no chão do banheiro enquanto uma água morna cai copiosamente, já que as suas lágrimas não querem sair, querem continuar regando um silêncio até o grito nascer.

 

Talvez seja o contrário, as pessoas que “têm tudo” e são torturadas por uma invisibilidade, com aquela sensação que todas as pessoas sabem tudo sobre a vida delas, fofocas, especulação, milhares de comentários do tipo “shippo”, plena e outros elogios ctrl c, mas ao mesmo tempo não existem ouvidos, para ouvir a pequena voz.

 

A pergunta martela os sinos da catedral do nosso desastre, o que há de errado comigo(a)? Por que as pessoas escapam, ou, por que abandonamos a chance de ser feliz? Deixamos as pessoas irem, por que não dizemos eu te amo? Como eu cheguei aqui? Como? Os sábados são solitários, aqui neste quarto, na balada descolada, no lual na Praia do ano.

 

Eu te vejo e você me vê, saiba que a tristeza fala sobre a alegria, a morte fala sobre a vida, a ausência fala sobre a presença, vida é desafio, medo, insegurança, coragem, impulso, choro, alegria, desmoronamento, recomeço, chuva, sol, abraços e afastamentos, vida não cabe neste texto, não cabe na tela de um celular, não cabe no tempo e talvez não caiba em uma vida.

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