Santiago.

 

Eles querem um porto

Eles querem a segurança

Os pés plantados em terra firme, plantados na realidade

Na rotina

Na carreira

Nos horários

Tudo definha em um afogamento

Nos afogamos em relacionamentos cômodos que se tornam mobília em uma casa cinza

Nos beijos sem língua

No sexo sem sedução, sem elo

Eles, elas, elos

Nas línguas sem uma real comunicação

Nos corpos na medida certa

Nossa alma foi domesticada

Nossa mordida já não tem dentes

Repetir, repetir e nas repetições nos perdemos

Estamos atrofiados

Diminuímos

Somos invisíveis dentro de corpos perfeitos

Cabemos perfeitamente em uma gaveta solitária

Olhe para o Horizonte

Seus olhos enxergam o barco tosco, velho e ferido, veja a madeira descascada, sem beleza, mas repleta de coragem.

Você sente uma mão velha e pesada no seu ombro direito, você sente os calos ásperos no tecido da sua camiseta, você olha e enxerga o rosto dono daquela mão.

Um velho magro e queimado de sol, com as costas curvadas, pois carrega o peso do tempo e o peso do fracasso, hoje ele completa 84 dias sem um único peixe, uma maldição para um pescador.
Seus olhos são de um azul inexplicável, possuídos pelo mar, penetrantes e eles falam coisas que nunca foram ditas para você, eles quebram as suas correntes e você se sente capaz.
Vocês entram no barco, partem rumo ao desconhecido, partem, mas inteiros com uma coragem feita de medo e movimento.
Só há vida na imensidão do mistério, no caminho que ainda não foi trilhado, você não é como eles, diz a imensidão azul que mora nos olhos do velho, você nasceu para isso e me trará sorte.
Pegue as suas redes e vá com Santiago. ..
.
.
.
(singela homenagem ao meu livro favorito que sempre me enche de coragem)

O velho e o mar – Ernest Hemingway

Anúncios